'Conhecimentos nucleares' russos podem ajudar Brasil a alcançar seus objetivos ambiciosos?

Angra 3, um projeto de usina nuclear congelado, poderá ter chance de contar com ajuda da estatal russa Rosatom para conclusão das obras.

Especialista em assuntos da energia nuclear, Aleksandr Uvarov, diretor do centro informativo AtomInfo, analisa em um comentário para serviço russo da Rádio Sputnik as perspectivas desta cooperação bilateral.

Falando se é fácil continuar obras iniciadas por outros especialistas, Uvarov destacou, dando como exemplo Busher (usina nuclear iraniana construída com apoio da Rússia), que não é uma tarefa fácil, porque começar do zero é sempre melhor.

"A tecnologia e a documentação são diferentes. Para além disso, antes de começar a continuação das obras é necessário verificar o que já existe, pode ser que alguma coisa tenha que ser substituída. É bem difícil", explica Uvarov.

Se isto é bem problemático, surge a questão: para que fins continua a Rússia interessada em projetos semelhantes?

Em caso especifico do Brasil, esclarece Uvarov, a Rosatom pode participar na continuação das obras e até ganhar lucro com esta cooperação.

"Acho que o problema principal [do Brasil] não é o projeto, equipamento e até dinheiro. Acho que eles simplesmente desaprenderam de construir usinas nucleares. Eles precisam de alguém que chegue e diga: 'Você tem de fazer assim e assim'", opina o especialista russo.

Segundo ele, parece que os brasileiros estão interessados, em primeiro lugar, na vinda de pessoas experientes que possam ajudar a finalizar as obras de Angra 3. Para que esta cooperação seja lucrativa para ambas as partes, de acordo com Uvar, a Rosatom tem que apresentar algumas condições adicionais.

"Como faz a China, por exemplo, na Argentina. Eles dizem 'nós damos dinheiro para vocês poderem construir a usina, mas a próxima já será construída com o nosso reator. Se a Rosatom puder fazer algo parecido no Brasil, seria interessante", frisou Uvarov.

Com este esquema ambas as partes podem ganhar, assegura Aleksandr Uvarov, o Brasil, lembra ele, desde o século XX que tem planos para construir 60 usinas, algo que parece bem ambicioso, mas pouco real. A Rosatom, por sua vez, tendo uma experiência grande na área da cooperação internacional, não "escolhe" por acaso os projetos no estrangeiro, e se já se fala sobre cooperação com Brasil, talvez se trate de condições lucrativas.

Vale lembrar que da construção anterior de Angra 3 se esteve ocupando a Alemanha, especificamente a Siemens, mas como esta empresa saiu do funcionamento na área nuclear, as obras pararam. Quando a empresa não pratica em obras de construção de usinas nucleares, ela perde, aquilo que, como confessou Uvarov, se chama de

"conhecimento nuclear". Como a Alemanha já não é tão profissional nesta área, o Brasil procura outras alternativas.

As obras de Angra 3 foram paralisadas dois anos atrás, em 2015, depois de acusações de corrupção contra as empresas contratadas para a montagem da usina e de atrasos nos pagamentos pela Eletrobras.

Fonte: https://br.sputniknews.com/russia/201709289462875-angra3-brasil-russia-cooperacao-rosatom/