1. Presidente da Rússia quer provocar um boom de investimentos estrangeiros no país Fórum Econômico de São Petersburgo proporciona negócios de US$ 18,5 bilhões Entro os dias 17 e 19 de junho, o presidente Dmitry Medvedev percorreu diversos painéis e seminários realizados durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, para constatar as grandes mudanças em curso na Rússia. O Chefe de Estado promete reduzir os impostos e as barreiras ao capital estrangeiro para deflagrar um boom de investimentos. "Nós temos mudado, em primeiro lugar, porque o mundo inteiro mudou", disse Medvedev em seu discurso na sessão plenária de abertura do evento no dia 18 de junho, para uma sala lotada de autoridades e investidores s russos e estrangeiros.
A mensagem, que repetiu Medvedev em um segundo discurso, em 19 de junho, observado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, ecoou sinais recentes de que o Kremlin vem adotando uma política externa receptiva à entrada de capitais estrangeiros. Medvedev iniciou as mudanças no início deste ano, quando ele disse que a Rússia deveria “mostrar um sorriso no rosto”, ao invés de “ranger os dentes” ao potencial do investidor estrangeiro.
Medvedev anunciou a redução de impostos sobre ganhos de capital no longo prazo sobre o investimento direto já a partir de 2011, e uma enorme redução do número de empresas estratégicas com restrições ao investimento estrangeiro, as chamadas ‘FGUPs’ (abreviação de “Empresas Governamentais Federais Unitárias”).
Planos para isentar de impostos os investidores de longo prazo de seus ganhos de capital, foram apresentados pela primeira vez pelo Ministério das Finanças em março, na esperança de estimular o investimento de private equities e fundos diversos. Mas na ocasião foi aventado que isso só se aplicaria ações de empresas não negociadas em bolsas.
Por outro lado, setores estratégicos, como energia, aeroespacial, de defesa e meios de comunicação têm sido limitados para o investimento estrangeiro desde 2008, por uma lei que exige que as empresas estrangeiras que pretendam investir obtenham permissão especial de uma comissão presidida pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.
Para diminuir esta limitação, e incentivar o ingresso de empresas estrangeiras na Rússia, Medvedev assinou uma lei em 18 de junho, que reduziu o número de empresas estratégicas (que têm as limitações ao investimento estrangeiro) de 208 para 41. A nova lei também irá reduzir o número das FGUP’s, de 230 para 159, disse o Presidente russo.
As FGUP’s, têm sido criticadas por sufocar a concorrência, e por estimular o desperdício de gastos por parte do governo russo, provocando falta de competitividade e quebra de produtividade. No ano passado, o Serviço Federal Anti-Monopólio propôs eliminar todas as empresas que não estivessem envolvidas em setores estratégicos.
Medvedev disse que, se as condições continuarem favoráveis, impostos sobre as sociedades serão ainda mais reduzidos nos próximos anos. Ele disse ter ordenado ao governo a criação de um novo fundo de investimentos, incidindo sobre a modernização onde cada rublo em caixa seria completado por três rublos do setor privado.
O presidente reconheceu que as reformas econômicas não poderiam ser concretizadas exclusivamente por “ordens de cima”. Em vez disso, ele disse, o governo deve concentrar-se na criação de condições favoráveis em geral. "O Estado não deve dilacerar as maçãs da árvore da economia. O que deve fazer é ajudar a crescer o nosso pomar, para desenvolver o ambiente econômico russo", disse o Chefe de Estado.
Os participantes do fórum reagiram positivamente ao discurso.
"Seu compromisso com as reformas foi muito bem recebido, não só entre os estrangeiros, mas também entre os líderes de negócios russos", disse Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, disse ao jornal The Moscow Times.
Dominique Cerutti, diretor executivo da NYSE Euronext, disse que, embora a tarefa adiante seja formidável, acredita que os líderes do país estão se superando. "Os líderes da Rússia são simplesmente incríveis. Quanto mais eu os conheço, mais fico impressionado", disse em uma entrevista à mídia estrangeira.
Ex-presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn disse que, enquanto Medvedev foi incisivo na questão da resolução dos problemas, o país também necessita de novos enfoques para resolver sua excessiva dependência dos recursos naturais. Acima de tudo, ele disse em uma entrevista que o governo deveria prestar mais atenção à evolução do sistema educativo. "Se você não fizer isso, então a sua capacidade de enfrentar os desafios tecnológicos torna-se muito menor", disse Wolfensohn, que trabalha agora como consultor.
Medvedev anunciou um programa de intercâmbio patrocinado pelo Estado para enviar mais estudantes da Rússia para as instituições de pesquisa do mundo inteiro, em especial aos países líderes. Ele também reiterou seus planos de fazer de Moscou um centro financeiro global, e para fazer do rublo uma moeda de reserva global.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que visitou o Fórum em 19 de junho, apelou a uma estreita cooperação com a Europa. "A idéia de que a Rússia deve proteger-se da Europa e que a Europa deve proteger-se da Rússia é coisa do passado", disse ele em seu discurso.
Outros participantes foram mais críticos. Num discurso em 17 de junho, o Chanceler sueco, Carl Bildt apontou o mau desempenho do país no último Relatório de Competitividade Global, no qual a Rússia caiu 12 pontos, e também o índice de corrupção da Transparência Internacional, onde ele está profundamente enraizado. "Há graves problemas que precisam ser abordados na Rússia", disse Bildt.
Medvedev não disse nada sobre quem governaria o país depois de seu mandato presidencial, que termina em 2012. Ele não mencionou seu mentor, o primeiro-ministro Vladimir Putin, com quem ele divide o poder desde 2008.
Alexander Lebedev, o bilionário magnata da mídia, disse que o sistema político deve mudar também. "Por que continuamos temendo mudanças no sistema judicial, nas eleições, partidos e no parlamento? Sem um campo de jogo competitivo na política, não vamos chegar muito longe", disse ele à margem do Fórum, relatou o jornal Kommersant.
Thomas Graham, um assessor do ex-presidente George W. Bush em relação à Rússia, afirmou que o ritmo da mudança tinha definitivamente se consolidado em Medvedev. "Há um debate mais aberto, e o governo russo está trabalhando arduamente para apresentar uma Rússia diferente", disse ele ao The Moscow Times. Graham disse que a situação ainda não é a “ideal" com os direitos humanos e a liberdade de imprensa, mas já houve progressos visíveis. Como exemplo, ele apontou para a Internet. "Você pode encontrar uma ampla gama de opiniões online", disse ele. Medvedev disse no seu discurso de 18 de junho que a tecnologia da informação foi um fator chave para a democratização, e que espera que o uso da Internet possa chegar a 90% nos próximos anos.
Muitos dos painéis do fórum centraram-se na determinação do Kremlin para alavancar as altas tecnologias, mais especialmente o projeto de criação de uma “cidade inovação", em Skolkovo, nos arredores de Moscou.
Medvedev realizou várias reuniões a portas fechadas com altos executivos de grandes empresas multinacionais no primeiro dia do evento. Subhanu Saxena, um membro do comitê executivo global da Novartis Pharma, disse que gostou do “ambiente muito aberto" da reunião.
No segundo dia do evento (18), no painel que discutiu o mercado de gás e energia, a direção da mesa determinou ao tema um tratamento claramente conservador, conforme observaram alguns participantes. Novas formas de energia e de gás natural não foram debatidas, para não confrontar os dirigentes máximos da gigante monopolista Gazprom, presentes à mesa. Uma das autoridades-chave da política russa do setor, o Vice-Primeiro-Ministro Igor Sechin, ofereceu uma defesa incondicional do modelo de monopólio de exportação via gasodutos, e deu descrédito às chances de energia alternativa, aludindo ao fornecimento de gás de xisto dos EUA à Europa.
Segundo o Assessor Econômico do Kremlin, Arkady Dvorkovich, foram assinados mais de 50 negócios durante os três dias do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, num valor total acima de 15 bilhões de euros (US$ 18,5 bilhões). Dvorkovich referiu-se a acordos de investimento, fusões e aquisições e contratos de venda.
"Misturar esses números todos juntos não é muito correto", disse ele. "Mas, se tentarmos calcular o volume global de vários acordos que foram alcançados, então ficará superior aos 15 bilhões de euros." (com o jornal “The Moscow Times”)
2. Participação brasileira no Fórum Econômico de 2011 é considerada “estratégica” Considerado por especialistas como o mais importante evento de cunho político-econômico de todo o ano na Federação Russa, o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (http://www.forumspb.com), que teve em 2010 a sua 14ª versão, considerada a mais importante, estruturada e bem-sucedida de todas, pretende receber em sua 15ª versão a participação de uma delegação expressiva de autoridades e líderes das principais empresas e organizações brasileiras.
Convidado a participar do evento pelo governo russo, o presidente nacional da Câmara Brasil-Rússia, Gilberto Ramos, iniciou entendimentos com o comitê organizador do Fórum para levar do Brasil uma delegação brasileira de alto nível, com a presença dos principais líderes de organizações brasileiras públicas e privadas, tendo em vista o alto interesse do governo russo em consolidar relações estratégicas com o seu principal parceiro latino-americano. “Conversei com o 1º Vice-Premiê, Igor Schuvalov, que me propôs que iniciemos entendimentos para que o Presidente do Brasil vá à próxima versão, mas o informei que só poderíamos começar a abordar este tema mais para o final deste ano, depois das eleições de outubro. Percebi em todos com quem estive um interesse gigantesco pelo Brasil, e tenho verificado um respeito enorme pelo nosso país, algo que talvez ainda não existisse em tão grande escala há poucos anos. Isso certamente decorre do crescimento substancial das nossas empresas e do PIB brasileiro, da nossa estabilidade política e econômica, e da projeção cada vez maior que o nosso país vem ganhando no cenário internacional”, declarou Ramos em entrevistas aos jornais Rossyiskaya Gazeta, Delovoi Petersburg e Kommersant, às agências RIA-Novosti e Voz da Rússia, e à rádio Eco de Moscou.
Gilberto Ramos participou de diversos painéis, tendo efetuado pronunciamentos em três: na sessão “BRIC, Política Fiscal, e Reservas em Moedas Correntes”, no sobre os “Novos Modelos de Cooperação na Indústria Militar e nos Domínios das Altas Tecnologias”, e ainda “Aspectos Econômicos e Organizacionais na Preparação para a Copa do Mundo”, este último referente à candidatura da Rússia para sediar o certame futebolístico em 2018, ou 2022.
Ramos declarou-se surpreso com a mais alta relevância das discussões mantidas, e com o amplo espectro dos temas abordados, que passaram desde o nível mais macro-econômico, com debates sobre as finanças no mundo pós-crise e a consolidação dos países BRIC, com pronunciamentos de altos dignitários, como dos presidentes Medvedev e Sarkozy, de diversos Chanceleres e Ministros de estado, até o foco de questões de cunho mais operacional. Propuseram-se discussões tão distintas, em painéis como “A casa do futuro”, toda informatizada, havia um protótipo no evento, passando pelos novos modelos educacionais globais, fontes alternativas de energia, novos destinos turísticos, onde o Brasil foi citado várias vezes, pela isenção de vistos já em vigor, aos novos modelos de negócio na indústria cinematográfica, às “Tecnópolis”, referentes à criação de cidades-limpas informatizadas, e até mesmo às viagens espaciais. O dirigente brasileiro reiterou ser extremamente oportuno haver em 2011 uma sessão específica dedicada ao Brasil, algo ainda inédito, mesmo porque painéis das relações russas com países e blocos são comumente realizados: “este ano houve grandes sessões dedicadas às relações da Rússia com a Comunidade Européia, com a CEI (sigla para a Comunidade dos Estados Independentes, ex-URSS), com os EUA, e com a Índia”, enfatizou.
“É impressionante a qualidade na organização, e o nível dos presentes ao certame. Órgãos e empresas russas e estrangeiras que negociam com este país, de praticamente todos os segmentos produtivos, estão aqui presentes com seus presidentes e CEO’s. Se você desejar manter um encontro com qualquer deles, basta estar presente!”, disse Ramos em entrevista a uma emissora local. O presidente da Câmara Brasil-Rússia já iniciou entendimentos com os organizadores e parceiros do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, tendo em vista a organização da participação brasileira em 2011, nomeadamente o Ministério do Desenvolvimento Econômico e Comércio da Federação Russa, o Governo de São Petersburgo, e a direção da “Lenexpo”, centro de exposições onde é sediado o evento.
3. Números das vendas de carne suína do Brasil para a Rússia Segundo dados da agência IAA “emeat”, a Rússia continua a ser o principal destino das exportações brasileiras de carne suína. Entretanto o volume vendido no primeiro quadrimestre de 2010 foi 9,3% menor que no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, porem, a quantidade exportada em abril passado foi 2,8% maior que no mesmo mês de 2009 e 33,7% maior que em março do ano em curso.
O preço médio obtido pelos exportadores brasileiros nos primeiros quatro meses de 2010 foi 18,9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, enquanto o preço médio em abril passado superou em 42,2% o registrado no mesmo mês de 2009.
Segundo a agência, os cinco principais destinos da carne suína brasileira são pela ordem: Rússia, Hong Kong, Ucrânia, Singapura e Argentina.
A agência observa também que houve forte incremento nas vendas para o Cazaquistão. O Brasil embarcou 1,6 mil toneladas para aquele país nos primeiros quatro meses de 2010.
4. Brasil e Rússia estudam criação de joint-venture na área de genética bovina Foi realizada no final de maio uma missão da associação brasileira de Hereford e Braford chefiada por seu presidente Fernando Lopa, com o objetivo de discutir a possibilidade de criar uma empresa mista na região da cidade de Cheliabinsk (1500 km ao leste de Moscou).
“Estamos planejando um intercambio de especialistas para que os criadores russos possam visitar o Brasil. Queremos ajudar a parte russa a produzir rebanhos e material genético de alta qualidade que no futuro possa, inclusive, ser exportado” – declarou lopa à imprensa russa.
Empresas da região de Cheliabinsk usam embriões de origem canadense, que custam em média 630 dólares a unidade. O Brasil se dispõe a oferecer o material a preços mais baixos, e a transferir tecnologia para produzir esses embriões no local.
O ministro da agricultura da região de Cheliabinsk, Ivan Feklin, disse que o governo local poderá disponibilizar para o projeto propriedades da região onde as tecnologias poderiam ser implementadas, e viabilizar a criação de rebanhos de elevada qualidade genética.
5. Governo russo aprova medida que permite trocar cotas para frango dos EUA por cotas para “outros países” O governo russo decidiu permitir que cotas destinadas á compra de carne de frango nos EUA sejam trocadas pelos importadores por cotas para a aquisição do produto em outros paises.
A medida divulgada oficialmente no sitio do ministério da indústria e comércio russo em 2 de junho passado estabelece que um quarto das cotas americanas (150 mil toneladas) poderão ser usadas pelos importadores russos em compras em outros países, inclusive o Brasil.
A decisão é conseqüência do impasse nas negociações entre Moscou e Washington que vem se arrastando desde o início do ano, quando entraram em vigor as novas normas sanitárias russas que proíbem o uso de água com alto teor de cloro no processamento de carne de frango.
6. Medvedev fala sobre a possibilidade de um segundo mandato Em visita aos EUA, Dmitri Medvedev visitou o Vale do Silício, abriu uma conta no Twitter e ganhou de presente o mais novo iPhone. Durante a visita ele contou sobre as condições, sob as quais aceitaria se candidatar para o segundo mandato.
O Presidente da Rússia Dmitri Medvedev teve uma agenda cheia no país, e fez uma importante declaração política. Durante encontro com estudantes da universidade de Stanford, Medvedev teve de responder mais uma vez se participaria das eleições presidenciais em 2012. O Presidente russo já havia dito não excluir essa possibilidade, mas desta vez revelou as condições, sob as quais aceitaria se candidatar.
“Se as políticas formuladas por mim forem implementadas, se houver apoio das pessoas (e isso é o mais importante para qualquer homem público, inclusive para almejar um segundo mandato) e se estiver com disposição para me ocupar disso – diria que não excluo a possibilidade de me candidatar”, disse Medvedev.
“É a grande prova de um político. Ser Presidente é um trabalho difícil. Aquele que, desde o início do trabalho, afirma estar pronto para desempenhar a função durante dois ou três mandatos, geralmente ainda não entendeu em que se meteu, ou então não está totalmente pronto para essa tarefa”, explicou o Presidente da Rússia.
Medvedev chegou a responder outras perguntas dos estudantes. Em certo momento, o Presidente falou que a Rússia está pronta para evoluir o seu sistema político, mas sem interferência externa. “Não estamos prevenidos contra erros, mas estamos prontos para melhorar o nosso sistema político”, argumentou ele. Segundo o Chefe de Estado, “isso diz respeito, além do sistema de partidos, a todas outras instituições políticas e estatais, incluindo o poder judiciário”. “Meu objetivo, como Presidente, é aumentar ao máximo a autoridade da corte e, fundamentado nisso, garantir um sistema judiciário realmente funcional e confiável para os cidadãos”, concluiu.
7. Líder russo reitera importância das relações com os EUA Tentativas de atrapalhar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos irão fracassar, escreveu o presidente russo Dmitry Medvedev em carta ao colega norte-americano Barack Obama, em meio a um escândalo de espionagem.
Saudando Obama pelo Dia da Independência dos EUA, Medvedev escreveu: "Nossas relações construtivas tornam fúteis as tentativas de reduzir a importância dos resultados que já conseguimos".
Ainda que Washington e Moscou afirmem que a prisão nos EUA na semana passada de 10 espiões supostamente trabalhando para a Rússia não abalará as relações entre os dois países, o premiê russo Vladimir Putin acusou as autoridades norte-americanas de terem "perdido o controle da situação".
Os EUA e a Rússia vêm trabalhando para fortalecer seus laços, incluindo a tentativa de acordos sobre como lidar com os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte, depois que Obama sugeriu um recomeço do zero das relações entre os dois países inimigos na Guerra Fria.
8. Portas estão abertas para diálogo com Irã, diz Rússia A comunidade internacional deixou as portas abertas para o Irã retomar o diálogo diplomático sobre seu programa nuclear, afirmou em 30 de junho o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. "Nós estamos interessados na retomada do mecanismo de diálogo com o Irã para discutir seu programa nuclear e temas que dizem respeito à parte iraniana", afirmou Lavrov no Cairo, durante um giro pelo Oriente Médio.
O chanceler russo afirmou que as sanções recentemente aprovadas no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã são essenciais para mostrar que o país não deve demorar a "responder questões legítimas que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) apresentou ao Irã". Lavrov disse que a Rússia "não acredita em sanções", já que elas geralmente não trazem os resultados desejados.
Teerã sofreu este mês uma quarta rodada de sanções no CS por se recusar a interromper o enriquecimento de urânio. O país persa alega ter apenas fins pacíficos em seu programa nuclear, mas potências lideradas pelos Estados Unidos temem que o Irã busque secretamente produzir armas nucleares.
9. França e Rússia assinam acordos comerciais O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apoiou em 19 de junho, no Fórum de São Petersburgo, vitrine econômica da Rússia, a presença das empresas de seu país no cobiçado mercado russo.
Convidado para o encerramento da 14ª edição do Fórum Econômico Internacional na antiga capital do império russo, Sarkozy enfatizou as excelentes relações políticas e econômicas existentes entre Paris e Moscou.
"Raramente na História, as relações entre Rússia e França foram tão ambiciosas, sem dificuldades e cheias de confiança recíproca", afirmou diante dos jornalistas no final de um encontro com seu colega russo, Dimitri Medvedev.
Sarkozy concretizou esses laços com a assinatura de uma série de acordos governamentais e comerciais e reafirmou que Europa e Rússia devem "trabalhar juntas", particularmente sobre a regulação financeira e a reforma da governança mundial.
A maior parte dessas cooperações, que levaram meses para serem preparadas, materializam a vontade francesa de se tornar parte importante do mercado russo.
No setor de energia, a GDF-Suez finalizou sua participação no gasoduto North Sstream, um projeto até agora liderado pelo gigante russo Gazprom, pelos alemães EON e pela BASF, além da holandesa Gasunie.
No setor de transportes, a Alstom confirmou sua aliança com a fabricante de trens russos Transmashholding (TMH) para a entrega de 200 locomotivas.
No plano político, Sarkozy comemorou a decisão de Medvedev de se associar às sanções adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU no início deste mês contra o Irã, assegurando que "nada poderia ter sido feito se ele não tivesse tomado essa decisão".
10. “Entre a Praça Vermelha e o Cristo Redentor” Como já foi divulgado em nosso último boletim, brasileiros e russos não precisam mais de visto para visitar uns aos outros. O acordo de isenção de visto para viagens de turismo entre Rússia e Brasil entrou em vigor no dia 7 de junho.
No dia 14 de maio de 2010, durante comunicado conjunto à imprensa, que se seguiu à reunião com seu colega brasileiro Lula da Silva, Dmitri Medvedev, o Presidente da Federação da Rússia, disse: “É um prazer informar que em início de junho, dia 7 para ser preciso, passará a valer a isenção de visto entre os nossos países. Nós chegamos ao acordo sobre o tema em 2008. Agora este acordo entra em vigor. Está claro que a medida aumentará as possibilidades de comunicação. Será mais fácil viajar, haverá menos formalidades”.
O Brasil é visitado por cerca de cinco milhões de turistas por ano. A maioria vem da Argentina (800 mil), país vizinho. Os EUA estão no segundo lugar (750 mil), seguidos por Espanha. Os russos, por outro lado, ainda não descobriram o Brasil, devido à distância e ao alto preço. Os últimos números disponíveis são relativos a 2007. Naquele período, dois mil turistas russos visitaram o país latino-americano. Entretanto, esse número cresce rapidamente, quase um quarto a cada ano que passa. O Brasil calcula que, com a isenção do visto, a quantidade de turistas russos aumente de modo considerável e supere a cifra de 12 mil já em 2010.
A ausência de vôos diretos entre os dois países é um dos importantes fatores a dificultar o turismo. Há algumas opções de viagem. Todas elas com conexão na Europa – via Paris, Londres, Frankfurt ou Amsterdam. Todavia, considerando as conexões, o tempo de viagem geralmente é de 14 a 19 horas, não tão grande assim. Na época da URSS, havia vôos diretos, que Brasil e Rússia pretendem restaurar muito em breve. Está sendo criada uma comissão especial para organizar essa ponte aérea.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia explica os detalhes do acordo. Cidadãos da Federação da Rússia e da República Federativa do Brasil ficam isentos de visto de entrada (saída, trânsito, permanência) em viagens de prazo máximo de 90 dias, no período de 180 dias, contando do dia da primeira entrada.
Para atividades comerciais, trabalho, atividades religiosas e de caridade, estudo, estágios e pesquisas científicas – fica mantida a necessidade de visto.
A Rússia já assinou acordo de isenção de visto com a Turquia. Além disso, desde 30 de maio até 31 de outubro de 2010 todos os cidadãos da Federação da Rússia podem cruzar a fronteira da República Albanesa em viagens de turismo de no máximo 90 dias. (com a Rossyiskaya Gazeta)
11. Boeing poderá montar aviões russos nos EUA A Boeing Co. poderá ser a montadora, no mercado dos EUA, do russo-ucraniano An-124 Condor – avião de cargas pesadas. A Rússia encaminhou ao governo norte-americano a proposta de produção de aeronaves em conjunto e a Casa Branca discutiu o assunto com a Boeing.
O tema fez parte da agenda do Presidente Dmitri Medvedev, em sua visita ao país em junho.
12. Rusal lança fundo para negociar alumínio e tentar segurar preços A United Co. Rusal, maior produtora mundial de alumínio, informou que o metal passará a ter um fundo negociado em bolsa como se fosse uma ação (ETF, na sigla em inglês), talvez já no próximo mês, trazendo sustentação para os preços da commodity, cujo declínio levou ao fechamento de fornos de fundição de produtores por todo o mundo.
A Rusal e outras produtoras negociam o fornecimento do metal para o fundo, que poderia comprar até 1 milhão de toneladas de alumínio em um ano, afirmou a repórteres o executivo-chefe da empresa, Oleg Deripaska, ontem, em Tóquio, sem identificar qual instituição financeira criaria o ETF. Os preços do alumínio caíram 11% em Londres este ano, afetados pelos receios de que medidas do governo chinês para restringir seu mercado imobiliário possam afetar a demanda e pelo impacto da crise da dívida europeia nos mercados. Um fundo ETF poderia ajudar a sustentar os preços do metal, já que a demanda física (quando há a entrega do metal) continua forte, segundo Deripaska. "Vocês verão o lançamento do primeiro ETF no próximo mês, pelo que sei", disse o executivo-chefe. "É um novo instrumento de proteção" contra os riscos decorrentes das flutuações nas taxas de câmbio e nos preços das fontes de energia, ressaltou.
O contrato de alumínio para entrega em três meses na Bolsa de Metais de Londres caiu 1,7%, para US$ 1.987 por tonelada. Em 7 de junho, os preços fecharam a US$ 1.867,50 por tonelada, menor valor em oito meses. A máxima em 18 meses foi em 16 de abril. Os investidores compram ETFs na expectativa de lucrar com o aumento da commodity. Pelo menos três ETFs de alumínio estão "tecnicamente" prontos para serem oferecidos aos investidores, segundo declarou Deripaska em abril. Os preços do metal deverão subir para US$ 2.400 por tonelada até o fim do ano, já que a demanda física continua forte, disse o executivo-chefe.
A Rusal, com sede em Moscou, não alterará sua meta de produção para este ano. As indústrias ligadas ao transporte são os maiores usuários de alumínio. O executivo-chefe da Renault SA e Nissan Motor Corp., Carlos Ghosn, prevê alta na produção automotiva de 11% este ano. Em 9 de junho, Deripaska havia alertado para a possibilidade de o declínio no preço do metal levar ao fechamento de fornos de fundição e à falta de oferta. Uma capacidade de produção de 2 milhões a 3 milhões de toneladas poderia ser paralisada no segundo e terceiro trimestres, já que com os preços atuais cerca de 70% das usinas mundiais estão deficitárias. Os preços na China, maior consumidor do metal, caíram abaixo do custo de produção, segundo informou a Aluminum Corp. of China Ltd., em 8 de junho.
13. Visto de trabalho fica mais fácil As companhias que querem contratar estrangeiros para trabalhar na Rússia não precisarão mais obter quotas de autorização e de vistos de trabalho.
Segundo lei sancionada pelo presidente Dmitri Medvedev, os estrangeiros estão liberados de apresentar diplomas de qualificações. As novas regras valem para empregadores russos (ou filial de empresa estrangeira) e para quem ganha anualmente mais de US$ 60 mil. Os vistos terão validade de até três anos.
Com isso, a Rússia “vai passar de um sistema de menor acolhimento para um dos mais positivos do mundo para grandes talentos”, disse a Ernst & Young,
14. CEI: Rússia foca na zona de livre comércio O 1º Vice-Premiê da Rússia, Igor Shuválov, disse em reunião da Comunidade de Estados Independentes (CEI), realizada em São Petersburgo, que espera que os países membros criem uma zona de livre comércio até o fim deste ano. Ele afirmou que a assinatura do acordo é a principal tarefa da Rússia, que atualmente ocupa a presidência rotativa da CEI. As ex-repúblicas soviéticas concordaram em criar uma zona de livre comércio em 1994, mas o acordo nunca foi firmado. O espaço é um passo importante para a criação de um ambiente econômico único na área pós-soviética, o que se espera que se consolide ainda este ano.
15. Petróleo em alta - Rússia torna-se a maior produtora mundial Em 2009, a Rússia produziu mais petróleo do que a Arábia Saudita (apesar de ter produzido menos gás) e tornou-se a maior produtora mundial.
Segundo o relatório anual da BP, o consumo global de petróleo sofreu sua maior queda desde 1982 (1,7%). O CEO da BP, Tony Hayward, disse que o relatório reflete as mudanças na matriz energética mundial e a tendência no sentido de desenvolver o uso dos recursos energéticos mais ecológicos. O relatório também mostrou que, apesar de a extração de petróleo nos países da OPEC ter diminuído 7,3%, Rússia, Brasil, Cazaquistão e Azerbaijão aumentaram sua produção.
16. Coca-Cola investe 99 milhões de euros na Rússia A Coca-Cola Hellenic Bottling Company da Grécia, engarrafadora exclusiva da Coca-Cola na Rússia, nos países da CEI e na Europa, informou em seu relatório anual de 2009 ter investido cerca de 99 milhões de euros no desenvolvimento de suas operações na Rússia.
O relatório demonstra que a empresa continuou a investir em sua capacidade produtiva, em equipamentos para vendas e na infraestrutura de distribuição. Ao final de 2009, a fatia da empresa no mercado russo de bebidas não alcoólicas foi de 21,7%, crescendo 0,7% mesmo com as vendas totais no país caindo 13%. (Rossyiskaya Gazeta)
17. Rússia quer fundo global para enfrentar acidentes ambientais MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Dmitry Medvedev, pediu em 5 de junho que as potências econômicas mundiais considerem criar um fundo global para abordar desastres ambientais de grande escala, como o derramamento de petróleo no Golfo do México.
"Talvez nós devêssemos considerar criar um fundo global para ter mais segurança frente a esse tipo de risco (ambiental)", disse o presidente no blog oficial do Kremlin.
A Rússia acompanhou de perto a reação da BP ao derramamento, em parte porque 25% da produção total da gigante britânica vem da joint venture TNK-BP, com sede em Moscou.
O vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin, disse que o país implementará exigências mais rígidas de segurança para produtores de petróleo após o vazamento da BP, considerado o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. Medvedev também pediu pela criação de uma nova estrutura legal para lidar com desastres dessas dimensões.
"Nós precisamos implementar uma estrutura moderna de lei internacional nessa área, talvez na forma de uma convenção de vários acordos que abordem as questões que surgem em desastres como o do Golfo do México", escreveu.
18. Ajuda humanitária russa chegará à América Latina A Rússia continuará a contribuir para reduzir a pobreza global por meio do programa do G-8. “Em 2010, US$ 10 milhões serão transferidos para a Global Village Energy Partnership, organização internacional sem fins lucrativos que assegura à população dos países mais pobres acesso aos recursos energéticos”, afirmou Andrei Bokarióv, funcionário do Ministério das Finanças. A RusHydro poderá construir pequenas hidrelétricas na América Latina. (Rossyiskaya Gazeta)
19. Faleceu Andrei Voznessenski, um dos maiores poetas russos Nasceu em Moscou em 1933. Arquiteto e pintor por formação, poeta por vocação, publica os seus primeiros versos em 1958. No ano seguinte aparecem “Os Mestres”, que o afirmam como um indiscutível talento da poesia soviética contemporânea. Seguem-se os livros Mosaico e Parábola, que comprovam a brilhante técnica de Voznessénski, o seu verso dinâmico e colorido, cheio de imagens complexas e associações verbais e fonéticas.
A sua poesia transmite num ritmo sincopado as ansiedades e tensões do nosso tempo, a ideia da beleza que engendra a fé e a esperança na vida e é incompatível com o despotismo das guerras.
Fica aqui a tradução de um dos mais conhecidos poemas de Andre Voznessenki: "Góia", realizada por José Sampaio Marinho.
GÓIA
Sou Góia! Arrancou-me o inimigo as furadas órbitas em vôo para o campo nu. Sou horror.
Sou grito. Da guerra, do carvão das cidades na neve do ano quarenta e um. Sou fome.
Sou garganta De mulher enforcada cujo corpo, como um sino, tangia na praça nua... Sou Góia!
Ó cachos Da represália! Em descarga vôo para o ocidente, eu cinza de inesperado visitante! E na memória do céu sólidas estrelas cravo Como cravos.
Sou Góia.
(com as Agências de Notícias “Voz da Rússia”, Itar-Tass e “RIA-Novosti”) |