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RÚSSIA E EUA NA CEI: CONCORRENTES OU PARCEIROS?
Konstantin Kossatchev, presidente da Comissão Parlamentar para as Relações Exteriores


As relações entre a Rússia e os EUA no espaço da Comunidade de Estados Independentes (CEI) é uma das mais importantes para o futuro cenário de desenvolvimento desta parte do planeta. Não é por acaso que, nos últimos 10 anos, este tema não sai da agenda dos contactos russo-norte-americanos, independentemente das preferências dos atuais ou antigos donos do Kremlin ou da Casa Branca.
Seria lícito perguntar: quem são estes dois países no espaço pós-soviético? Parceiros ou concorrentes? E o que é mais importante nas suas relações - a competitividade ou a cooperação?
Creio que este período, até ao dia 24 de Fevereiro de 2004, caracteriza-se mais pela "concorrência". Claro que isto nada tem a ver a "rivalidade", resultante de "maquiavélicos desígnios ou pretensões à hegemonia". É que, após a desintegração da URSS, as ex-repúblicas soviéticas têm-se debatido com numerosos problemas, relacionados com a identidade nacional, organização política e, por fim, o desenvolvimento econômico. Neste quadro, era natural para qualquer país procurar apoio e solidariedade na arena internacional. E como na política, à semelhança da natureza, não pode haver "espaços vazios" (nos anos 90 a Rússia era um país fraco e inseguro), as antigas repúblicas soviéticas puseram-se a procurar apoio em outras direções.
Naturalmente, a opção pelos EUA era um passo lógico, uma vez que as capacidades econômicas dos EUA naquela altura eram incomparáveis com as capacidades da Rússia. Simultaneamente, houve mais um fator favorável: os EUA, na vertente política externa, procuravam expandir a sua presença no mundo inteiro, inclusive no Cáucaso do Norte, na Ásia Central e na zona do mar Cáspio.
Agora, a questão é de saber até quando a situação nesta região vai permanecer estável. Por outro lado, a Rússia, por razões históricas, étnicas, geográficas e culturais não deixa de ser um parceiro mais próximo e compreensível. Se ela conseguir superar a crise interna e voltar-se para a CEI, a cooperação normal destes países com a Rússia será reiniciada já em breve. E não só no sentido político, como acontece já hoje. No sentido econômico e militar também, desde que a Rússia lhes conceda garantias de segurança quando lhas pedirem.
O progresso das relações com a Rússia e, neste contexto, a mudança de posicionamento dos EUA pode ser vista no caso da Geórgia. Há bem pouco tempo, as relações russo-georgianas caracterizavam-se pela instabilidade. Moscou estava apreensiva com as reiteradas declarações de Tbilissi sobre a intenção de aderir a NATO e permitir a presença no seu território de bases militares americanas.
Mais tarde, chegou-se à conclusão que este problema podia ser resolvido. A questão da presença americana na Geórgia "esgotou-se" depois de o secretário de Estado Collin Powell ter asseverado neste Inverno em Moscou que "os militares dos EUA abandonariam a Geórgia quando acabarem de ministrar os cursos de formação antiterrorista. Assim, na Geórgia permanecerá apenas o Gabinete do adido militar.
No que respeita à entrada na NATO, aqui pode-se constatar que a Geórgia, como um país soberano, tem um pleno direito de escolher as formas e métodos de garantir a sua segurança nacional. Se Tbilissi tomar a decisão definitiva sobre a adesão e esta for partilhada pela maioria dos georgianos, a Rússia terá que respeitar tal opção, não obstante as nossas críticas à expansão da NATO para leste e à entrada da Geórgia nesta organização político-militar.
Para reforçar as relações entre a Rússia e a Geórgia ou entre a Rússia e qualquer outro país da CEI será mais importante uma maior transparência e o caráter conseqüente da nossa política. A Rússia tem reconhecido sempre a integridade territorial da Geórgia, prestando, ao longo de décadas, uma assistência econômica real, inclusive o fornecimento de recursos energéticos e outras "mercadorias estratégicas" a preços mais baixos do que os mundiais. Tenho a certeza de que tal orientação política de longo prazo não será alterada.
É dai que decorre a única solução para o problema da "competitividade" entre a Rússia e os EUA no espaço pós-soviético. Acho que, com o tempo, este tema deixará de figurar na agenda. Nesta região, o EUA tem menos interesses estratégicos de fundo do que a Rússia. Ao mesmo tempo, para Washington não há razões sérias para entrar em "luta" com Moscou no momento em que esta está a reforçar as suas posições no antigo espaço da URSS. Além disso, as relações russo-americanas em outras áreas têm tido um caráter estratégico demasiado sério para serem deterioradas por uma eventual "concorrência" no território da CEI.

 
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