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PODERÁ O NOVO GOVERNO TORNAR-SE INSTRUMENTO EFICAZ DE CRESCIMENTO ECONÓMICO?
Yuri FILIPPOV, observador político da RIA "Novosti"

Cinco dias antes das eleições presidenciais marcadas para 14 de Março, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não só substituiu o Governo, mas também o reformou cardinalmente. De acordo com a Constituição da Rússia, o Governo federal renuncia às suas funções depois da eleição do novo Presidente, portanto, seja como for, o Governo devia ser demitido. Atualmente esta será uma simples formalidade. Como declarou o Presidente, depois das presidenciais, as pessoas nomeadas para os cargos de ministros serão automaticamente aprovadas de novo. Fazendo em 2003 a sua mensagem à Assembléia Federal, Putin colocou a ambiciosa tarefa de duplicar em dez anos o Produto Interno Bruto e graças a isso acabar com a pobreza que somente segundo as estatísticas oficiais afeta de um terço a um quarto dos habitantes da Rússia.
Quem deve resolver este problema? Claro que o Governo através da liberalização da economia e da criação de novos mercados e de um favorável clima de investimento. Infelizmente, o Governo, que Putin herdou da época de Ieltsin com a sua corrupção, ineficácia econômica e dependência paralisante dos preços mundiais do petróleo, não esteve em condição de resolver este problema. Na maioria das vezes, o Governo realizava tarefas bem diferentes, antes de tudo, equilibrava o orçamento e procurava resolver o problema da redução da dívida externa que antes da chegada de Putin ao Kremlin atingia 120 por cento do PIB. Hoje muitas destas tarefas foram cumpridas, e a demissão do chefe do gabinete Mikhail Kassianov no fim de Fevereiro serviu de sinal de que chegou a hora em que a Rússia deve dar um arranque para frente.
Poderá o novo Governo transformar-se em instrumento eficaz de crescimento econômico? Da resposta a esta pergunta depende a futura apreciação da atividade de Vladimir Putin durante o seu segundo mandato presidencial.
Por enquanto Putin procura fazer tudo que dele depender para que o novo gabinete de ministros se torne um instrumento econômico eficaz e não um insípido clube de lobistas dos seus próprios departamentos tal como ele foi recentemente.
Primeiro, o Governo tornou-se muito mais compacto e transparente do que anteriormente. Em vez dos trinta ministros, inclusive o primeiro-ministro e seus cinco suplentes, o novo gabinete está constituído por apenas dezassete pessoas. O presidente do Governo terá agora um só suplente o que permitirá tornar o processo de coordenações no Governo muito mais simples e compreensível. Segundo, a maioria dos velhos lobistas foi demitida do gabinete com cortesia, mas impiedosamente. O Governo passou a ser dirigido por Mikhail Fradkov, ex-representante da Rússia junto da União Européia, homem que tem sempre mantido uma distância em relação aos numerosos clãs e grupos de pressão na elite russa. O seu único suplente tornou-se Aleksandr Jukov, brilhante parlamentar, ex-chefe da Comissão de Orçamento e primeiro vice-presidente da Duma de Estado, câmara baixa do Parlamento russo. Jukov terá de realizar a complicadíssima tarefa que os seus antecessores nem sempre conseguiam cumprir, ou seja, coordenar a atividade do Governo e fazer aprovar os projetos de lei governamentais no Parlamento. Durante muitos anos o Governo russo procurou sem resultado ser o principal porta-voz das iniciativas legislativas na Rússia. Isso era necessário para que a atividade reformadora do gabinete de ministros na economia fosse corroborada pela força da lei, sem se dissolver nas ilimitadas vastidões do país, e se transformasse em força motriz do seu desenvolvimento econômico. No entanto, a princípio a maioria comunista na Duma de Estado bloqueava as mais sérias tentativas reformadoras do gabinete de ministros e depois, quando os comunistas passaram a constituir a minoria, as iniciativas reformadoras afundavam-se não raro nas ilimitadas emendas apresentadas pelos lobistas politicamente amorfos o que os não tornava, porém, menos agressivos e coesos na promoção dos interesses dos ministérios, departamentos e todo o gênero de grupos econômicos existentes sempre em grande quantidade na Rússia.
Claro que nestas condições nem se podia sonhar que o Governo elaborasse qualquer estratégia única de desenvolvimento econômico.
Aliás, esta situação não é uma raridade para a Rússia, ao longo de séculos ela existiu aqui sob diversas formas e era qualificada enfaticamente de "estilo bizantino" que significava uma organização da vida política em que o vencedor é determinado não mediante a votação pública, mas pelo método de intrigas, hipocrisia e encarniçada luta nos bastidores.
Em diferentes épocas diversos governadores da Rússia conseguia desviar o país desta via viciosa. E então se tornavam possíveis à modernização, o crescimento econômico e o arranque para as formas cada vez mais civilizadas de democracia. Hoje em dia, perante Vladimir Putin, que obteve a maioria parlamentar nas eleições do ano passado, e perante o Governo que agora ele formou põe-se uma tarefa muito parecida. A sua luta deve ser coroada pela criação da moderna economia liberal e da democracia política estável.

 
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