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POLÍTICA
EXTERNA RUSSA PERMANECE INALTERÁVEL
Dmitri Kossyrev, observador político da RIA "Novosti"
A nomeação de Serguei Lavrov
para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros
e a mudança para o Kremlin do antigo chefe da diplomacia
russa, Igor Ivanov, significa a disposição do
Presidente de manter a linha política externa russa.
Pelos vistos, o rumo político da Rússia na arena
mundial não requer mudanças radicais.
Normalmente, quando um departamento é reestruturado,
Vladimir Putin nomeia, como regra, uma "pessoa de fora",
como foi no caso do Ministério da Cultura e da Comunicação
Social que é dirigido agora pelo antigo reitor do Conservatório
de Moscou, Aleksandr Sokolov. Ou antes, quando Serguei Ivanov,
próximo de Putin, mas sem evidentes contactos diretos
com as Forças Armadas da Rússia, foi nomeado
ministro da Defesa, ministério que, aliás, continua
a chefiar agora.
Desde a posse de Igor Ivanov em 1998, o seu posto era disputado
por vários diplomatas da ala liberal, bem como por
representantes do mundo de negócios. O próprio
Ivanov, ao longo dos 6 anos que esteve no posto de ministro,
defendeu um conceito bem diferente: "uma figura política
incompetente não pode encabeçar o MNE".
"Na Rússia não há políticos
perfeitos ou polivalentes, capazes de exercer funções
de titular da pasta diplomática sem eventuais falhas
sérias". Foi o próprio Ivanov que, à
semelhança do seu antecessor Evgueni Primakov, propôs
vários candidatos e fez agora, sem dúvida, a
melhor escolha. Os embaixadores colocados em países
longínquos têm, de regresso à Rússia,
que se adaptar durante muito tempo à realidade nacional.
Pelo contrário, Serguei Lavrov, durante os 10 anos
que trabalhou na ONU, manteve contactos pessoais permanentes
com a direção do país quanto aos problemas-chave
da política mundial. O trabalho na ONU proporciona
uma experiência ímpar e um agudo sentimento de
realidade do mundo em constante mudança. Por isso,
Lavrov, sendo uma pessoa sociável e aberta, poderá
vir a ganhar popularidade graças aos talentos raros
que possui: é o segundo, nos últimos 100 anos,
ministro russo dos Negócios Estrangeiros com dotes
musicais e artísticos. Pode-se esperar, por conseguinte,
uma mudança de estilo do trabalho do MNE.
Mais uma prova de "continuidade" da política
externa russa será a decisão de não efetuar
quaisquer "alterações de fundo" nos
escalões do MNE, exceto aquelas que foram previstas
ainda no Outono passado. (Na altura, os dois vice-ministros
deviam partir para o estrangeiro na qualidade de embaixadores.
E agora será necessário enviar um novo representante
para a ONU).
Entretanto, o futuro papel de Igor Ivanov está marcado
pela indefinição. É que, por razões
óbvias, a população pouco conhece sobre
o trabalho do Conselho de Segurança Nacional (CSN)
e as funções do seu secretário.
Pode-se esperar, contudo, que a passagem de Ivanov para a
"equipa presidencial" venha aumentar a importância
deste cargo. A experiência norte-americana demonstra
que no "duo" permanente do Secretário de
Estado e do conselheiro da segurança nacional, a liderança
alterna-se, conforme a personalidade do conselheiro.
Ao contrário da época de Boris Ieltsin, a política
externa preconizada pelo atual Presidente tem sido sempre
mais clara e compreensível, baseando-se nas decisões
e reuniões de ministros ou chefes de departamentos
que integram o Conselho de Segurança.
Igor Ivanov foi ali uma das figuras-chave. Vladimir Putin
já está habituado ao estilo de trabalho de Ivanov,
podendo, doravante, ser prosseguida a sua eficaz cooperação.
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